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14 de abril de 2026

A epidemia de corrupção em concessões privadas e o colapso do sonho liberal

Durante anos, venderam ao Brasil uma promessa simples: privatizar reduziria a corrupção. A ideia era clara: tirar o serviço público das mãos de políticos e colocá-lo sob gestão da iniciativa privada, supostamente mais técnica, mais eficiente e imune às distorções da política.

Por Juventude Trabalhista

Durante anos, venderam ao Brasil uma promessa simples: privatizar reduziria a corrupção. A ideia era clara: tirar o serviço público das mãos de políticos e colocá-lo sob gestão da iniciativa privada, supostamente mais técnica, mais eficiente e imune às distorções da política.

A realidade está mostrando o contrário.

Em São Paulo, a ENEL enfrenta uma crise sucessiva de apagões e já se discute rompimento contratual. Em Santa Catarina, a Operação Mensageiro revelou um esquema de propinas envolvendo concessões privadas, com um a cada 10 prefeitos do estado presos 2020. Agora, delações apontam indícios de corrupção em concessões de água e esgoto da Aegea em ao menos sete estados, envolvendo um dos maiores grupos privados do setor.

A promessa liberal era que profissionais técnicos e ilibados substituiriam a lógica política e resolveriam o problema estrutural da gestão pública. O que vemos é que a corrupção não desapareceu.

Por quê?

Porque falta ao liberalismo mais ortodoxo a compreensão mais básica do funcionamento da política em uma economia capitalista: poder político é poder econômico. Grandes concessões públicas envolvem contratos bilionários, monopólios regionais e décadas de exploração garantida.

Se, para uma empresa interessada em obter ou manter uma concessão altamente lucrativa, for mais vantajoso assediar, pressionar ou subornar gestores públicos do que apresentar a melhor proposta técnica à população, é isso que o mercado fará.

A separação entre Estado e mercado, no contexto brasileiro, é uma ficção conveniente. Políticos incompetentes ou sem projeto de Estado encontram na privatização uma oportunidade de terceirizar responsabilidades administrativas e, em alguns casos, enriquecer ilicitamente. Empresas, por sua vez, buscam maximizar retorno. O resultado, quando o controle institucional é frágil, é um ambiente propício ao ganha-ganha entre gestores corruptos e corporações oportunistas.

Quem paga a conta é a população.

Privatizam-se os lucros potenciais. Socializam-se os prejuízos, os apagões, as tarifas elevadas e os contratos mal fiscalizados.

Basta de oportunistas, que utilizam do figurino de gestores para terceirizarem suas responsabilidades e ocuparem posições tão sérias e dignas quanto a gestão pública a fim de privatizar os lucros e socializar os prejuízos à população. Por mais democracia direta, em que a população decida diretamente sob seu patrimônio e que nenhum criminoso que teve a sorte de atingir uma cadeira da gestão pública possa, à revelia da população, entregar seus maiores patrimônios.