O Brasil carrega uma contradição histórica: é uma das maiores potências agrícolas do mundo, mas convive com concentração fundiária, insegurança alimentar regional, êxodo rural e déficit habitacional crescente.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil por meio da Campanha da Fraternidade deste ano, revela que a questão da terra e da moradia não é pauta ideológica, mas um anseio nacional.
Para além de qualquer credo religioso, trata-se de reconhecer um princípio básico da própria ordem constitucional brasileira: a propriedade deve cumprir função social e servir ao bem comum.
A Juventude Trabalhista recorda que o debate sobre terra, desenvolvimento e soberania não é novo na história brasileira. Ele esteve presente no projeto das Reformas de Base defendido por João Goulart, que compreendia a democratização do acesso à terra como condição para ampliar o mercado interno e fortalecer a nação.
Da mesma forma, durante o período de reorganização nacional conduzido por Getúlio Vargas, intervenções estratégicas nos estados estavam inseridas numa lógica de integração territorial, expansão produtiva e consolidação de um projeto nacional.
A história demonstra que não há soberania sem base material distribuída e produtiva. A terra, quando integrada ao trabalho e à produção, deixa de ser mera posse e passa a ser instrumento de desenvolvimento nacional.
Retomar essa reflexão não significa repetir fórmulas do passado, mas reafirmar que o Brasil precisa de um projeto que una produção, justiça social e fortalecimento do mercado interno como pilares de sua independência econômica.
Moradia digna fortalece a família.
Família estruturada fortalece o trabalho.
Trabalho fortalecido sustenta a soberania nacional.
Defender a função social da terra e da moradia não é dividir o país, é consolidar suas bases materiais.
A Juventude Trabalhista reafirma seu compromisso com um Brasil enraizado, produtivo e socialmente equilibrado.