Princípio primário

Anti-Imperialismo

O Imperialismo histórico e atual A tradição trabalhista entende como imperialismo um sistema estrutural de dominação política, econômica, cultural e militar tendo em vista diversos fins, mutáveis ao decorrer da história.

3 min de leitura no total · 1 texto

Texto 1

Por José Pedro Maia e Alessandro Meller · 3 min

O Imperialismo histórico e atual

A tradição trabalhista entende como imperialismo um sistema estrutural de dominação política, econômica, cultural e militar tendo em vista diversos fins, mutáveis ao decorrer da história. O imperialismo, tal qual conhecemos hoje, se constituiu por volta do século XIX enquanto política praticada pelo Reino Unido, mas não se limitando a este país, visando a manutenção de seu domínio sob os povos não-europeus e garantias de mercados sem concorrentes e regulações para suas empresas.

Um exemplo concreto da prática imperialista são as Guerras do Ópio (1839-1842, 1856-1860) onde o Reino Unido demandará pela força uma abertura comercial por parte da China para o comércio de drogas (ópio) inglês.

Na América Latina a atuação imperialista também é histórica, perpetrada especialmente pelos EUA e, por longo tempo, Reino Unido. Intervenções dos EUA no México, Colômbia (destaca-se aqui a intervenção de 1903 que resultará na independência do Panamá para permitir com que os EUA construíssem o Canal do Panamá sem interferência e/ou ceder parte dos lucros ao governo colombiano, antigo detentor do território) e outros tantos países são conhecidas. O Reino Unido também tem seu histórico, como no complô orquestrado junto a políticos entreguistas e vende-pátria para sabotar as crescentes indústrias do famoso empresário brasileiro Barão de Mauá.

Outro caso conhecidíssimo foi a Operação Condor, uma série de intervenções por toda América Latina orquestrada pelos EUA, no contexto da Guerra Fria, junto a políticos vende-pátria de todas as nações latino-americanas para derrubar governos nacionalistas e colocar fantoches filo imperialistas em seu lugar.

Contudo, após a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a configuração política do mundo mudou radicalmente. O desgaste das potências imperialistas europeias e a descolonização que se seguiu às duas grandes guerras mudou o mundo como nunca antes visto na história. Também mudou, por consequência, a dinâmica do imperialismo.

Se antes haviam diversas potências imperiais com elevados graus de autonomia entre si, no pós guerra elas progressivamente perdem espaço para a nova potência em acensão, EUA, e se subordinam a ela, alcançando a atual configuração do Bloco Imperialista.

Hoje, o mundo em dividido em dois grandes blocos. O primeiro é o Bloco Imperialista, cujo funcionamento é centralizado na autoridade dos EUA no centro e eixos orbitais comportando as demais potências imperiais hierarquicamente (imagem 1). O Bloco Imperialista, vale ressaltar, controla as grandes infraestruturas globais de telecomunicação (redes sociais estadounidenses, GPS, etc), o sistema financeiro internacional (padrão dólar, FMI, Banco Mundial, Sistema SWIFT, etc), bem como o maior aparato militar do mundo, a OTAN.

Diagrama em anéis: o campo imperialista liderado pelos EUA, 49 países em 4 anéis.
Imagem 1 – Fonte: Hiperimperialismo, Instituto Tricontinental de Pesquisa social.

O Segundo “bloco” compõe os demais países do globo, dispostos em seis categorias heterogêneas e não-hierarquicas. São, em maior ou menor medida, assediados pelo Bloco Imperialista. Este, por sua vez, chama-se Sul Global (imagem 2). Diferentemente do Bloco Imperialista, o Sul Global não possui aparatos centralizados e hierárquicos. Contudo, possui “expressões”, isto é, organizações heterogêneas e diversas que comportam, em graus diferentes, uma unidade na ampla diversidade sociopolítica do Sul Global. São o BRICS+ e a Organização Para Cooperação de Xangai (OCX) suas maiores “expressões”.

Diagrama: o resto do mundo, 145 países em 6 grupos do Sul Global.
Imagem 2 – Fonte: Hiperimperialismo, Instituto Tricontinental de Pesquisa social.

Entendendo o que é o imperialismo e a necessidade de combatê-lo, os jovens trabalhistas consagraram em deliberação o Anti-imperialismo enquanto Princípio Primário. Que significa, então, o anti-imperialismo?

Anti-imperialismo significa que os jovens trabalhistas entendem (alicerçados também no Princípio Primário de Humanismo) que todos os povos do mundo gozam de igual dignidade. Assim sendo, não é lícito que um povo oprima um outro por vantagem. Deve-se, portanto, preterir as relações centro-periferia entre os povos do mundo e, ao contrário, promover uma coprosperidade entre as nações. Também deve-se combater as ingerências estrangeiras em solo nacional e repudiar os avanços do Bloco Imperialista sob nações amigas e todo o Sul Global (alicerçam-se aqui, também, no Princípio Primário do Solidarismo), entendendo que, legitimada uma intervenção do Bloco Imperialista em qualquer parte do globo, este se sentirá ainda mais no direito de intervir nos demais países do Sul Global.

Referências (1)
  • Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Hiperimperialismo: um novo estágio decadente perigoso. 1. ed. Expressão Popular. 2024.
Ver todos os verbetes