João Goulart
João Belchior Marques Goulart (1919-1976), mais conhecido como Jango, foi uma das figuras mais relevantes da história republicana brasileira, sendo o principal herdeiro político de Getúlio Vargas.
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Texto síntese
A partir dos textos de Matheus Mossmann, Tarcisio Coelho · 2 min
A síntese reúne o que os autores escreveram. Os textos originais, na íntegra, estão nas outras abas.
João Belchior Marques Goulart (1919-1976), mais conhecido como Jango, foi uma das figuras mais relevantes da história republicana brasileira, sendo o principal herdeiro político de Getúlio Vargas. Sua trajetória é marcada pela defesa intransigente do trabalhismo, do nacional-desenvolvimentismo e da implantação de reformas estruturais para promover a justiça social no país.
Jango, filho de uma tradicional família pecuarista de São Borja (RS), teve sua carreira política forjada pela proximidade com a família Vargas. Filiado ao recém-fundado Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1946, logo se elegeu deputado estadual (1947) e federal (1950), tornando-se uma voz central do trabalhismo, culminando na sua nomeação como Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio (MTIC) em 1953. Seu gesto mais audacioso como ministro foi a proposta de aumento de 100% no salário mínimo em 1954, medida que enfrentou dura reação conservadora, mas cimentou sua imagem como "defensor dos trabalhadores". Essa valorização levou o piso salarial, no início da década de 1960, ao maior patamar real da história.
Após a morte de Vargas, Jango tornou-se um articulador essencial na aliança PSD–PTB, elegendo-se Vice-Presidente da República em 1955 (com Juscelino Kubitschek) e sendo reeleito em 1960 (com Jânio Quadros). Com a renúncia abrupta de Jânio Quadros em 1961, Jango, que estava no exterior, enfrentou uma grave crise político-militar. Setores conservadores tentaram impedir sua posse, alegando subversão. A posse foi garantida pela Campanha da Legalidade, liderada por seu cunhado Leonel Brizola, e pela negociação que impôs o regime parlamentarista, embora Jango tenha tomado posse em 7 de setembro de 1961.
Após a vitória esmagadora do presidencialismo no plebiscito de janeiro de 1963, Jango recuperou seus plenos poderes e se dedicou a implementar seu projeto de transformação nacional: as Reformas de Base. As propostas, que visavam superar o subdesenvolvimento crônico e a dependência do país, incluíam: Reforma Agrária (desapropriação de latifúndios improdutivos), Reforma Eleitoral (universalização do voto, incluindo analfabetos), Reforma Tributária (imposto de renda progressivo), Reforma Bancária (criação de um Banco Central), e Reforma Universitária e Educacional (execução do Plano Nacional de Alfabetização). Além disso, Jango sancionou o Estatuto do Trabalhador Rural (1963), estendendo os direitos da CLT ao campo, e aprovou o 13º Salário (1962). Na economia e política externa, buscou a soberania: assinou a criação da Eletrobras (1962) e promoveu a Política Externa Independente (PEI), recusando-se ao alinhamento automático com os EUA.
Diante da intransigência do Congresso, Jango radicalizou o discurso em defesa das reformas no Comício da Central do Brasil (março de 1964). Poucos dias depois, em 31 de março de 1964, o movimento civil-militar se iniciou, culminando na sua deposição. Jango recusou a resistência armada e partiu para o exílio no Uruguai e Argentina, onde faleceu em 1976. Sua deposição encerrou a experiência democrática e o projeto de transformação social que propunha no Brasil.