Guerreiro Ramos
Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982) é um dos nomes centrais das ciências sociais brasileiras no século XX.
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Texto 1
Por José Pedro Maia · 2 min
Introdução
Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982) é um dos nomes centrais das ciências sociais brasileiras no século XX. Sociólogo, intelectual público e formulador político, fora protagonista no debate sobre desenvolvimento, Estado e autonomia intelectual do Brasil, contribuindo ativamente para enriquecer as produções teóricas advindas do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros). Contribuiu para a formação de uma sociologia crítica à “importação” de teorias advindas de outros países, entendendo que é fundamental ao processo de modernização brasileiro formar uma intelectualidade crítica que consiga pensar o Brasil e seu desenvolvimento de maneira autentica e autônoma.
Brevíssima Biografia e atuação intelectual
Nascido na Bahia, em 1915, Guerreiro Ramos formou-se em um ambiente intelectual em que literatura, direito, administração pública e sociologia estavam intrinsecamente conectados. Quando jovem, migrou para o Rio de Janeiro, onde fez uma carreira na administração pública e no debate público, circulando por revistas, órgãos estatais e associações culturais. Sua convivência com servidores, técnicos e intelectuais voltados à modernização institucional do país marcaram seu modo de ver e produzir sociologia: menos como disciplina e mais como ferramenta de leitura e reordenação da vida coletiva.
Por volta de 1940 e 1950 aproximou-se de iniciativas culturais e políticas com foco em mobilização social e reflexão crítica. Nesse período, crescerá seu interesse pela questão racial e pelas dimensões simbólicas da cidadania. Reconhecerá, ainda, a existência de estruturais que relegavam a parcela negra e pobre do povo brasileiro a posições subalternas.
Ingressará no ISEB, em meados dos anos 1950, ampliando seu espectro de atuação. O Instituto, ligado ao Ministério da Educação e Cultura, reunirá cientistas sociais, economistas, filósofos e juristas notáveis de sua época para debater estratégias de desenvolvimento. Lá Guerreiro Ramos foi tomará parte em uma intensa interlocução entre Estado e sociedade civil, nunca mais vista no Brasil. O golpe de 1964, entretanto, encerrará esta rica experiência: o ISEB será extinto, muitos de seus quadros sofrerão perseguições e o próprio Guerreiro Ramos perderá seus direitos políticos, sendo obrigado a sair do país.
Legado
Guerreiro Ramos é até hoje considerado um dos grandes nomes da sociologia brasileira e um paladino no combate à importação acrítica de supostos paradigmas estrangeiros com pouca ou nenhuma utilidade para a análise da sociedade brasileira. Contudo, trata-se de um autor hoje esquecido e que deve ser resgatado para que o Novo Trabalhismo possa realmente se consolidar enquanto cultura política hegemônica e brasileira por excelência.