Integralismo Brasileiro
O Integralismo Brasileiro é um movimento político-doutrinário de extrema-direita, criado por Plínio Salgado em 1932, após sua saída do Partido Republicano Paulista.
7 min de leitura no total · 3 textos
Texto síntese
A partir dos textos de Gustavo Capelli, Henrique · 2 min
A síntese reúne o que os autores escreveram. Os textos originais, na íntegra, estão nas outras abas.
O Integralismo Brasileiro é um movimento político-doutrinário de extrema-direita, criado por Plínio Salgado em 1932, após sua saída do Partido Republicano Paulista. Ganhou corpo por meio da Ação Integralista Brasileira (AIB) e foi posteriormente removido pelo Partido da Representação Popular (PRP) e pela Frente Integralista Brasileira (FIB). Sua inspiração é notadamente fascista, definida por suas bases ideológicas nocivas e agressivas, e por classificar-se como "totalitário" em seu manifesto de 1932, colocando-se ao lado de movimentos como o fascismo italiano, o nazismo alemão e o stalinismo soviético.
O ideário integralista possui similaridade direta com a experiência da Itália de Benito Mussolini, que Plínio Salgado conheceu em viagem em 1930. As características centrais do movimento são o anticomunismo, o antiliberalismo, o corporativismo e uma defesa aberta de um regime ditatorial, com forte ênfase na hierarquia e na figura do “chefe nacional” (Plínio Salgado). A AIB constituiu-se como um movimento de massas, buscando apoio tanto nas elites quanto entre as massas, e sua estética e rituais tinham fortes ligações com o fascismo italiano, notadamente através de sua milícia, os camisas verdes.
Apesar de se apresentar como um movimento nacional, o integralismo brasileiro possui um histórico de aliança com forças antinacionais e retrógradas, que o colocam constantemente em cheque contra a nação. Foi fundado em São Paulo com financiamento do Partido Nacional Fascista de Mussolini, e Plínio Salgado atuou como agente do nazismo alemão enquanto esteve exilado em Portugal.
Sua história política é marcada por relações ambíguas e oposição ao regime do Estado Novo (1937–1945) de Getúlio Vargas. Após apoiar o golpe do Estado Novo, os integralistas foram para a oposição e promoveram um levante em 1938, contido de forma enérgica por Vargas, resultando na ilegalidade do movimento. Com a iminente derrota do nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, Plínio Salgado tentou modificar a doutrina, buscando dotá-la de uma roupagem “democrática”.
Na Quarta República (1945–1964), Salgado refundou a corrente como Partido da Representação Popular (PRP). O PRP manteve o financiamento da burguesia nacional e teve sua base principal na classe média e pequenos proprietários rurais do Sul do Brasil. O partido participou ativamente das articulações golpistas que depuseram o Presidente João Goulart em 1964, e com a instituição do bipartidarismo em 1965, foi incorporado pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido de apoio à Ditadura Militar. Plínio Salgado foi inclusive prestigiado pelos militares, atuando como idealizador da disciplina Educação Moral e Cívica, obrigatória nas escolas durante o Regime. Em períodos recentes, o movimento tem sido associado ao apoio ao Bolsonarismo, confirmando seu padrão de aliança com forças que se opõem a projetos de soberania e trabalhismo.