Nacionalismo
A palavra nação possui sua origem no termo latino "natio", que dá a ideia de origem comum às pessoas, sendo o local de nascimento partilhado por uma população.
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Texto síntese
A partir dos textos de Dioney, Kayak, Ryan, Alan, Jeovane · 3 min
A síntese reúne o que os autores escreveram. Os textos originais, na íntegra, estão nas outras abas.
A palavra nação possui sua origem no termo latino "natio", que dá a ideia de origem comum às pessoas, sendo o local de nascimento partilhado por uma população. Com a desagregação de comunidades e fatores agregadores tradicionais, a nação tornou-se o principal fator de integração de um povo e identificada com o Estado nacional. Caindo os reis absolutos, o fundamento da nação tornou-se a soberania popular, configurando-se como uma "imagem mítica que possibilita a representação da ideia de que o Estado pertence ao povo" (Levi, 1998). O Nacionalismo é a perspectiva e orientação política que deriva desta nação, constituindo uma ideologia unificadora elaborada intencionalmente para garantir a coesão do povo no Estado (Ibidem), que considera prioritário o interesse nacional e que enfatiza, mediante posição, conduta ou atitude de ordem política, econômica ou cultural, os valores da independência nacional e da autodeterminação. Ele valoriza as riquezas e os elementos de cultura nacionais, além de ser um fundamento para a promoção de Direitos nos âmbitos nacional e internacional (Hunt, 2009).
Historicamente, constituiu a ideologia política dos países ocidentais durante o período democrático-burguês de suas revoluções, em contradição com o atraso da nobreza feudal e do absolutismo. Estes podem desenvolver um Nacionalismo agressivo, exemplificado pelas experiências fascistas do século XX, que evolui para o chauvinismo ao disseminar a tese pseudocientífica de que existem "povos superiores" e "povos inferiores". Contudo, o Nacionalismo defensivo é a resposta à comunidade internacional a ações de dominação colonizadora diretas ou indiretas (Sobrinho, S/D), surgindo nas colônias tardiamente, especialmente nas lutas pela independência política, para liquidar o regime colonial.
O nacionalismo é um fenômeno reflexo, que irrompe na consciência das massas devido a antagonismos e contradições particulares de um momento determinado, não consistindo em mera recusa à inserção de outros povos, mas constatando sobretudo que há um choque de interesses, em face do qual afirma a primazia do interesse dos grupos humanos que compõem a nação. Ele é invocado quando se exige um instrumento para assegurar a autonomia do povo, em face de situações que impõem obstáculos à realização nacional, seja por ingerência externa, seja por reacionarismo de camadas dirigentes internas à nação.
Na fase vigente da vida nacional brasileira, o Nacionalismo caracteriza a atitude política que se pretende desvencilhar da dominação econômica, política e cultural exercida pelas nações sobranceiras que alcançaram a etapa imperialista, onde países lançam mão de recursos para impedir o desenvolvimento autônomo das nações atrasadas para lhes exportar capital e consumir sua riqueza. O nacionalismo defendido por nós está vinculado à experiência nacional, sua diversidade cultural, pluralidade étnico-racial e demais noções que norteiam a ideia de país mestiço, concebendo o Brasil como Moinho de moer gente, e está fundamentado na produção intelectual brasileira, em autores como Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Guerreiro Ramos e Sérgio Buarque de Holanda. Nosso nacionalismo é popular, tradicional, não racialista, nem chauvinista ou xenofóbico, sendo defensor da soberania nacional, contrário ao imperialismo predatório que dizima e enfraquece as nações do mundo.
A questão nacional é de suma importância no sentido de identificação do povo brasileiro e sua originalidade, ancestralidade e mestiçagem, sendo um princípio fundamental para a defesa dos interesses nacionais frente às ameaças externas. Essa lógica se baseia na defesa dos interesses nacionais frente às ameaças de potências imperialistas estrangeiras que visam espoliar as riquezas, recursos e a força de trabalho do povo Brasileiro. O nacionalismo que defendemos é mais do que um mero sentimento patriótico de defesa dos símbolos nacionais, colocando a defesa dos símbolos na ação política concreta, combatendo o entreguismo e as perdas internacionais, e se manifesta na afirmação dos interesses nacionais, na industrialização do Brasil, na defesa dos povos originários e seus territórios, e em uma política ambiental comprometida, visando uma ordem política e social que coloque a justiça social, os direitos sociais e a função social dos bens nacionais como fundamento da ordem, rumo ao progresso socialmente justo.